Jesus é verdadeiro Deus: o erro antigo que voltou com nova roupagem


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”_(João 1.1)

Poucas verdades são tão centrais para a fé cristã quanto esta: Jesus Cristo é verdadeiro Deus. Não apenas semelhante a Deus, não apenas representante de Deus, não apenas um ser exaltado acima dos homens, mas Deus verdadeiro, da mesma essência do Pai, eterno, digno de adoração. Quando essa verdade é enfraquecida, todo o edifício do evangelho começa a ruir.

Nos primeiros séculos da igreja, surgiu um ensino que afirmava que o Filho havia sido criado pelo Pai. Segundo essa visão, houve um tempo em que o Filho não existia. Ele seria o mais elevado dos seres criados, mas não eterno, nem plenamente divino. Esse erro, conhecido historicamente como arianismo, foi confrontado de forma decisiva no Credo Niceno, que declarou que o Filho é “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

A igreja compreendeu que não se tratava de uma discussão secundária. Se Cristo não é plenamente Deus, não pode revelar perfeitamente o Pai. Se não é plenamente Deus, sua obra redentora perde valor infinito. Um salvador criado não poderia suportar o peso da ira divina nem oferecer justiça perfeita em nosso lugar.

O testemunho bíblico é claro. João afirma que o Verbo era Deus. Paulo declara que em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade. O autor de Hebreus o apresenta como o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser. Tomé, diante do Cristo ressurreto, exclama: Senhor meu e Deus meu. Jesus não corrige essa adoração, mas a recebe.

Entretanto, o erro antigo não desapareceu. Ele apenas mudou de linguagem. Hoje, poucos afirmam explicitamente que Cristo é uma criatura, mas muitos o reduzem a um mestre moral, a um exemplo de amor ou a um líder espiritual inspirador. Em alguns discursos contemporâneos, Jesus é apresentado como modelo de empatia, símbolo de resistência ou arquétipo de espiritualidade elevada. Sua divindade é suavizada para torná-lo mais aceitável à sensibilidade moderna.

Essa redução é sutil, mas perigosa. Quando Cristo é visto apenas como exemplo, a cruz perde sua dimensão substitutiva. Quando é tratado apenas como mestre, sua autoridade divina é relativizada. Quando é transformado em símbolo, deixa de ser o Senhor soberano diante de quem todo joelho deve se dobrar.

Negar a plena divindade de Cristo compromete também a adoração. Se Ele não é Deus, adorá-lo seria idolatria. Contudo, desde o Novo Testamento, a igreja adora o Filho juntamente com o Pai. O próprio Jesus afirma que todos devem honrar o Filho como honram o Pai. Essa igualdade de honra só é possível se Ele compartilhar da mesma essência divina.

A confissão de que Jesus é verdadeiro Deus não é especulação metafísica, mas fundamento da salvação. Somente alguém que seja plenamente Deus pode oferecer redenção eficaz. Somente alguém que seja plenamente homem pode representar a humanidade. Em Cristo, essas duas naturezas se unem sem confusão e sem divisão. Ele é o mediador perfeito porque é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Em tempos de pluralismo religioso e pressão cultural, afirmar a divindade de Cristo pode parecer exclusivista. Contudo, a igreja não é chamada a ajustar sua cristologia para agradar o mundo. É chamada a permanecer fiel à revelação. O Cristo das Escrituras não é produto de construção cultural, mas o Filho eterno encarnado para nossa salvação.

O erro antigo volta sempre que a igreja relaxa sua vigilância doutrinária. Por isso, é necessário reafirmar com clareza e convicção: Jesus não é apenas caminho entre muitos. Ele é o Senhor eterno, Deus encarnado, digno de fé, obediência e adoração.

Que a igreja do nosso tempo não negocie essa verdade. Porque se Cristo não for verdadeiro Deus, não há evangelho. Mas sendo Ele Deus verdadeiro, nossa esperança é segura, nossa redenção é suficiente e nossa adoração encontra seu objeto eterno.

Comentários

Postagens mais visitadas

Youtube

Programa | Spotify