Como viver sob o senhorio de Cristo em um mundo caído.
Em uma manhã comum, enquanto Ana
caminhava pelo centro da cidade, ela notou um outdoor que exibia a frase: “Seja
o seu próprio mestre.” Aquela mensagem, que parecia motivadora, fez com que Ana
refletisse. Em sua rotina diária, ela frequentemente sentia a pressão de viver
como se estivesse no controle absoluto de sua vida, equilibrando carreira,
relacionamentos e fé. No entanto, algo sempre parecia estar fora de lugar. Ela
se perguntava: "Como posso honrar a Cristo em um mundo que constantemente
me incentiva a ser independente Dele?"
Viver sob o senhorio de Cristo em
um mundo decaído é um chamado desafiador, mas essencial para cada cristão. O
apóstolo Paulo nos lembra em Filipenses 2.9-11 que Deus exaltou Cristo
sobremaneira e lhe deu “o nome que está acima de
todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e
debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória
de Deus Pai”. Essa declaração não é apenas teológica; é prática.
Reconhecer o senhorio de Cristo significa submeter todas as áreas da vida a
Ele, em um mundo que constantemente desafia essa submissão.
Calvino, ao tratar da soberania
de Cristo, enfatiza que “não podemos ter uma noção correta de Deus sem
aprender a submeter-nos completamente à sua majestade” (CALVINO, 2006, p.
40). Essa submissão, no entanto, não é algo passivo. Em Mateus 6.33,
Jesus nos exorta a buscar “em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça”,
o que implica viver de maneira ativa sob sua autoridade, fazendo escolhas que
refletem nossa fé, mesmo quando isso nos coloca em oposição aos valores do
mundo.
O desafio de viver sob o senhorio
de Cristo em um mundo decaído muitas vezes está enraizado no conflito entre a
carne e o Espírito. Paulo escreve em Gálatas 5.17: “Porque
a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são
opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”. Essa batalha interna exige dependência do Espírito
Santo, que nos capacita a resistir ao pecado e viver de acordo com a vontade de
Deus.
Além disso, viver sob o senhorio
de Cristo significa entender que Ele é soberano, mesmo em meio às dificuldades.
Em Romanos 8.28, somos lembrados de que “todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito”. Essa verdade nos dá esperança e
força para enfrentar as pressões do mundo, sabendo que Cristo reina
soberanamente e conduz todas as coisas para a glória de Deus.
John Owen também nos ensina que “o
senhorio de Cristo é a base de todo conforto para o crente, pois sabemos que
estamos seguros em Suas mãos” (OWEN, 2000, p. 45). Essa segurança não nos
exime de desafios, mas nos dá confiança para enfrentá-los com fidelidade.
Para Ana, o entendimento do
senhorio de Cristo começou a transformar sua maneira de viver. Ela decidiu que,
ao invés de tentar ser sua própria mestre, buscaria submeter cada decisão a
Deus, confiando que Ele guiaria seus passos. Ao fazer isso, Ana descobriu a
liberdade que vem de viver em obediência ao Rei dos reis.
Assim como Ana, somos chamados a
viver sob o senhorio de Cristo, mesmo em um mundo que rejeita essa verdade.
Essa submissão não é apenas uma obrigação, mas um privilégio que nos conecta ao
propósito eterno de Deus. Em meio às incertezas e pressões do mundo decaído,
podemos encontrar esperança na certeza de que Cristo é Senhor e que, ao
vivermos para Ele, estamos refletindo Sua glória e aguardando o dia em que todo
joelho se dobrará diante Dele.
Referências Bibliográficas
CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. São
Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006.
OWEN, John. A Mortificação do Pecado no Crente. São
José dos Campos: Editora Fiel, 2000.

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