Nosso Deus é democrático?
Você já ouviu o famoso ditado: A Voz de Deus é a Voz do Povo? Ou já se deparou decidindo as coisas baseado apenas no voto da maioria, mesmo que aquilo seja algo não muito correto? O conceito de democracia tem crescido vertiginosamente, principalmente após o acalourado período eleitoral em nosso país, onde a instituição é sempre vista como inabalável, inerrante e benéfica para com o povo.
Bom... Lendo a respeito de muitos textos do assunto, não quero aqui colocar longos artigos da nossa Constituição falando a respeito desse regime, muito menos invalidar as lutas histórias que fizeram do voto um direito possível hoje. Queria apenas deixar a primeira pergunta do Catecismo Maior de Wesminster Comentado a respeito do nosso principal objetivo na vida:
- Pergunta N° 1: Qual o fim principal e supremo do homem?
- R: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e goza-lo para sempre.
Desta simples resposta, podemos tirar uma conclusão óbvia, mas que as vezes passa reto: Sabendo que o papel do homem é glorificar a Deus e ter alegria nEle, não é o fim supremo do homem buscar o bem para a maioria. Veja o que os comentários desta pergunta, no Catecismo Maior Comentado citam:
- Sub-pergunta n° 4 (Catecismo Maior Comentado): Qual o erro da seguinte declaração: "O fim supremo e principal do homem é buscar o melhor para a maioria"?
- R: Essa declaração envolve o mesmo erro de dizer que "O fim supremo e principal do homem é buscar a felicidade", pois faz do propósito da vida humana algo voltado para o próprio homem. A diferença é que essa afirmativa faz o bem-estar da raça humana em geral o propósito da vida, enquanto que a primeira afirmativa faz a felicidade individual o seu propósito. Ambas são contrárias ao ensino bíblico sobre Deus como o Criador e o Fim de todas as coisas. Ambas são em essência a mesma coisa, com a ideia pagã de que "O homem é a medida de todas as coisas". A vida moderna, por estar amplamente dominada por essa falsa ideia, é essencialmente pagã e não cristã. Até mesmo algumas igrejas absorvem esse ponto de vista pagão e falam de Deus como um "Deus democrático".
Quando olhamos para as escrituras, vemos que Deus é coerente e coeso em suas obras, um Deus que cria o mundo em uma estrutura harmônica, criando tudo para Sua honra e Sua própria glória, de forma com que a criação proclame essa mesma glória (Salmo 19.1). Para isso Ele não necessitou de mais ninguém, dentro do Seu Santo Conselho. Apesar de ter criado o homem a Sua imagem e semelhança, mesmo antes de ter pecado, não perguntou a Adão se ele queria uma mulher alta, baixa, ruiva, morena. Antes criou uma auxiliadora idônea, sabendo exatamente das suas necessidades, sem sequer ter lhe ouvido. Deus é independente e sabe exatamente o que precisamos.
Deus não precisa de auxílios ou instituições para que seja instruído, desde o princípio a sabedoria estava com Ele (Provérbios 8). Mesmo nos momentos mais derradeiros do Seu povo, Deus levantava profetas que alertavam o povo sobre o caminho mau que estavam andando e dava ordens expressas para que se arrependessem e seguissem o caminho do Senhor. Não havia espaço para referendos ou plebiscitos quando se tratava de fazer o que é certo.
Visto que a democracia parte de um pressuposto de bem-estar coletivo, mesmo que essa instituição tenha seus bons usos e costumes hoje, observamos que desde que o pecado entrou no mundo, o homem tem o desígnio do seu coração desordenado, pois ele se mostra, acima de tudo, mau. Portanto, cada um acaba por observar o que é eminentemente seu, e não o do outro. Deus disse, após o dilúvio, que: "[...] é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade" (Gênesis 8:21). Por isso é muito difícil dizermos que se trata de uma instituição imparcial e isenta de máculas.
Se a Voz de Deus realmente fosse a voz do povo, Cristo teria sido preso? Observe, o sacrifício de Cristo DEVERIA acontecer, mas isso não retira a responsabilidade humana das pessoas que foram dar falso testemunho a respeito de Jesus (Mateus 26: 59-60). Vê-se portanto que a maioria pode facilmente ser dissuadida, no momento em que o coração do homem entra em cena. Não é assim em muitas campanhas políticas? O voto é dado de quem lhe é comprado. Votamos por emprego, religiosidade, afinidade, relação sanguínea, critérios pessoais, em boa parte. E acaba que muitos chegam ao poder através de grito de poucos. Ora, mas com Deus não é assim.
Tal regime político tem sido defendido com unhas e dentes como algo inabalável, e quase como que divino. Sob a égide da democracia, pessoas podem ser presas, pautas podem ser retiradas de debate, conceitos podem ser reformulados e intenções podem ser encobertas. Devemos claramente nos lembrar que toda criação não instituída (de forma direta) por Deus pode estar destinada a acabar algum dia. Não tratemos a democracia com idolatria irresignada, mas com uma cautela prudente, como todas as coisas que Deus nos deu para administrar.
Nosso discurso cristão vai ser, na maioria das vezes, contra cultural. Não vamos ser populares diante da maioria, pois o caminho é estreito (Mateus 7: 13-14) e temos que ter coragem para falar do Evangelho e chamar pessoas ao verdadeiro arrependimento. A bíblia nos adverte que seremos perseguidos por pregar esse Evangelho (Mateus 10:22) mas ele deve preponderar em nossa boca para as pessoas enxergarem em nós o poder transformador e regenerador que só Cristo pode oferecer, o caminho da salvação.
Veja o caso de Pedro, que nos Evangelhos apresenta forte temor de homens, além de repreender Jesus por prenunciar sua morte (Marcos 8: 31-32), cortou a orelha de Malco (João 18: 9-10) e também negou Ele diante dos homens para que não fosse morto (João 18: 17-18). Este mesmo Pedro se apresenta mais na frente, em Atos, e opera a cura um homem coxo (Atos 3: 6-8), é preso junto com João por pregar o Evangelho de Cristo (Atos 4: 1-3) e falou corajosamente contra o pecado dos sacerdotes perante o Sinédrio (Atos 4: 5-21) que eram as autoridades políticas e religiosas daquele tempo.
Que transformação! Foi este mesmo apóstolo que nos escreve:
"Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente." (1 Pedro 1:23).
Vez por todas, é preciso lembrar que Deus é Absoluto, seu caráter é perpétuo, e Suas leis não podem ser revogadas por homens, pois são um reflexo da Sua própria natureza santa. Que saibamos confiar nossos caminhos a Ele, confiando, para que Ele faça o mais em nossas vidas (Salmo 37:5). Os governos terminam, os principados caem, poderes mudam, mas a palavra do Senhor permanece para sempre.
Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor;
a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada. (1 Pedro 1: 24-25).
a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada. (1 Pedro 1: 24-25).
Henry Nicolas

Comentários
Postar um comentário