#2. Descanso e refrigério
Em nosso primeiro texto desta série, abordamos acerca do conceito de BOM PASTOR. Segundo a tradição de povos do antigo oriente, os monarcas eram vistos como pastores, a quem era encarregada a proteção e a provisão de seus súditos. Ao declarar "O Senhor é o meu pastor" (v.1), o salmista está confessando o próprio Deus como seu rei, pastor e provedor.
No sequência do cântico, Davi faz menção aos verdes pastos e às águas tranquilas. Queremos esmiuçar melhor estes elementos em nosso texto de hoje.
A fala do salmista faz menção ao local de pastagem das ovelhas. No antigo oriente, o pastor conduzia seus rebanhos às pastagens férteis que cresciam em decorrência das chuvas. No período do verão e do outono, normalmente os rebanhos se alimentavam de ervas daninhas e restolhos de colheitas. A exemplo dos camelos, as ovelhas também podem passar longos períodos sem água. Quando surge a oportunidade, estes animais costumam se abastecer consumindo cerca de 9 litros de água.
Neste sentido, diferentemente das cabras (animais que se mostram mais independentes em sua condução), as ovelhas possuem total dependência do pastor para encontrar pastagens frescas e água. Assim sendo, os pastores providenciam abrigo, cuidados médicos, proteção às suas ovelhas; assim como, o auxílio no nascimento dos filhotes. Em suma, as ovelhas não conseguem sequer sobreviver sem a ajuda do pastor.
Em um antigo documento babilônico, o rei Amiditana afirmou que o deus Ea (deus das águas doces, venerado por este povo, assim como pelos sumérios) havia lhe concedido sabedoria para apascentar o seu povo. Em sua metáfora, o monarca babilônico afirmou que supria as necessidades de seu povo com excelentes pastagens e águas límpidas, fazendo-os descansar em lugares seguros.
Assim sendo, a visão que se abre diante de nosso olhar aponta para campos verdes e fontes de águas límpidas (oásis). O pastor acompanha o seu rebanho, conduzindo-os, tipificando os lugares e as direções por onde Deus conduzia o salmista como seu pastor pessoal, até o local de repouso onde ele poderia descansar tranquilo, sem medo e protegido.
Neste caso, observemos que o local onde o salmo foi evocado era desértico. O local por onde os pastores seminômades da região conduziam seus rebanhos era composto de um cerrado árido, sem oásis e sem pastos, até chegar em pequenos vilarejos. Contudo, o pastor sabia onde encontrar capim e água fresca, elementos que são essenciais para a manutenção da vida das ovelhas. O pastor sabia encontrar um oásis onde estes animais desfrutariam de descanso e se revigorariam antes de retornar à peregrinação. Conforme apontou o salmista, Deus o conduziu a verdes pastos e às águas tranquilas, locais onde a abundância se fazia presente.
Portanto, queridos irmãos, se o Senhor é o nosso pastor em desertos (lugares de escassez e morte), podemos cultivar a certeza de sua presença abundante em nossas vidas, a ponto de auto afirmamos que "nada me faltará". (v.1).
Por fim, podemos afirmar que este texto nos aponta para uma viva confiança: O Senhor, amorosamente, cuida do seu povo. O Senhor cuida do rebanho de Seu pastoreio. O pastor tem em seu coração o bem de seu rebanho e por isso caminha ao lado de suas ovelhas, conduzindo-as por estradas justas, satisfazendo as necessidades de Suas ovelhas, garantindo o descanso e o refrigério de seu povo.
Que Deus te abençoe.
Fábio Luiz de Souza

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