Estou feliz que minha mãe morreu!
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| Livro da atriz mirim que sofria abusos |
Neste livro, a atriz faz sérias críticas à forma como sua mãe conduzia sua educação, uma vez que a mãe sonhava que a filha fosse uma atriz de Hollywood, estando disposta a fazer de tudo por isso. Ela então relata de forma ácida e humorada sobre como sua mãe controlava sua vida a ponto de até mesmo controlar as calorias que comia por dia, o dinheiro que ela ganhava e o fato dela inscrevê-la em 14 aulas de dança por semana, para que ela se tornasse boa.
Este texto não tem por fim analisar o livro (que não li) ou muito menos reiterar vítimas dentro da história, mas a atriz afirma em seu livro que nasceu e cresceu em uma família mórmom, sem amigos, educada em casa e na igreja e que "levou anos para perceber o quão disfuncional era sua família", trazendo a tona a velha discussão de paternidade/maternidade e se estamos vivendo verdadeiramente o Evangelho que nos foi entregue dentro da nossa família, não de maneira mórmom, mas sim de maneira Cristã e Verdadeira.
A MATERNIDADE É ESSENCIAL PARA A VIDA CRISTÃ
Por toda a bíblia e ao longo da história, vemos a ação de mulheres de Deus sendo essenciais para o crescimento do Evangelho, em especial através da função maternal, podemos citar o exemplo de Joquebede, mãe de Moisés, que escondeu o filho por três meses para não ser morto, e quando não mais o conseguiu, fez um cesto para mandá-lo pelo rio (Êxodo 2: 2-4).
Antes mesmo da história de Moisés, em Êxodo 1, temos a comumente esquecida história das parteiras Sifrá e Puá, que se recusaram a cumprir a ordem de Faraó de matar os filhos homens das mulheres hebréias, e por isso Deus poupou-lhes a vida e lhes constituiu família (Êxodo 1: 15-21). Esse evento é relatado como tornando o povo muito forte (v. 20). Não faltam exemplos ao falarmos de maternidade, como Ana, Sara, Rute, Isabel, Maria, entre outras que podemos aprender lições valiosas.
A bíblia reforça os cuidados com os filhos, quando se refere a eles como bênção do Senhor (Salmo 127), os conselhos para Paulo arrazoando que não devemos provocar nossos filhos a ira (Efésios 6:4) e temos um livro completo dedicado a ensino de sabedoria aos mais jovens em Provérbios.
Como bons cristãos também nos orgulhamos muito de ainda sermos as colunas de famílias que tem grande número de filhos (e com razão). Em minha igreja local, por exemplo, já há mais de seis anos anunciamos mensalmente uma gravidez dentro da igreja, e sempre é motivo de alegria e muito festejo. Quando essas crianças são batizadas publicamente nos comprometemos a ser exemplo, zelando pela fé daquele novo filhinho da aliança, de forma conjunta com seus pais de sangue, pois agora aquele pequeno integra dentro do nosso seio espiritual. O próprio Jesus em Mateus 19 nos ensinou que "Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus." (v. 14).
Maternidade para nós é um assunto caro, e ler um título como esse do livro citado no começo imediatamente nos faz sentir repulsa, seja por ingratidão, já que são nossos pais que nos ensinam o caminho que devemos andar e eles que nos dão tudo o que temos, seja pelo sentimento de que mães são universalmente boas. Apesar disso, temos de nos lembrar que na bíblia também temos maternidades ruins como por exemplo Penina (1 Samuel 1:6), a mãe que se apresentou diante de Salomão desejando tomar o filho da outra (1 Reis 3: 16-28), Rebeca que tinha predilência por um dos dois filhos, Atalia, que dava maus conselhos a seu filho (2 Crônicas 22: 3-7).
COMO TEMOS CUIDADO DOS MAIS NOVOS?
Vendo o triste caso dessa atriz, nos faz questionar se temos cuidado de nossos pequenos como deve, se temos vivido o Evangelho na presença deles, instruindo em cuidado e amor, mostrando como a palavra é preciosa em nossas vidas. Pode muito bem não ser o caso, de estarmos distante dessa realidade. Já não nos importamos mais de brigar com o cônjuge na frente dos nossos filhos, já não nos analisamos antes de exercer a disciplina e aplicamos surras quando nosso coração está irado. As vezes até acontece de projetarmos uma falsa redenção em nossos filhos, de serem o que nós não somos, de andarem por caminhos que nunca tivemos corajem de andar, exigindo um fardo que nem Deus exige deles.
Como diria um pastor que sigo nas redes sociais: Todo pai tem um filho ideal que nunca nasceu. Com isso ele quis dizer que muitas vezes reclamamos que nossos filhos não gostam de jogar bola como nós, que nossas filhas não gostam de cozinhar como nós, somos tentados a achar que as coisas em que eles se destacam não são talentos de verdade, e que eles até desenvolvem gostos estranhos "do nada" ou então vindo das "más amizades". Dentro do seio evangélico muitos pais fazem questão de desenvolver habilidades, gostos e preferências políticas nos filhos, mas quando se trata em relação a sua fé os deixam totalmente a mercê de um acaso ocioso.
Não é atoa que o maior índice de jovens desviados (provenientes de lar cristãos) é pelo fato dos pais não demonstrarem aquilo que dizem acreditar de forma consistente dentro dos lares. O jovem observa os ensinamentos da bíblia, não vê aquilo nos pais, questiona o porquê e muitas vezes é reprimido com uma autoridade tirânica. O jovem então olha para os pais sob lentes de hipocrisia, e que aquele Evangelho é algo a ser descartado de sua vida. Não é bom que seja assim, devemos estar aptos para falar e viver nossa fé de forma sistemática, pedagódica, dando prioridade áquilo como deve ser dado.
Você pode até dizer que está isento desse dever, uma vez que é solteiro ou é casado e não tem filhos (que é o meu caso). Mas lembre que você fez um compromisso público de ajudar os pais das crianças da igreja, quando elas foram batizadas, indiretamente têm outros filhos que você pode ajudar. Por isso, quanto de nós temos sido uma "rede de apoio" (na linguagem de enfermagem) às crianças que tem nascido dentro da igreja? Você tem sido alívio, confronto e conforto para os pais dentro da sua igreja? Tomar um rumo diferente é o caminho fácil para nós, mas fomos chamados para suportar uns aos outros (Colossenses 3: 13-17) bem como a carregar o fardo uns dos outros (Gálatas 6:2). Isso significa uma abnegação amável, e não uma conformidade conveniente.
QUE NOSSA BOCA NÃO CESSE DE FALAR DESTE LIVRO DA LEI! (Josué 1:8)
Só posso concluir esse texto com um questionamento: Para onde estamos direcionando nossos jovens? Para serem ótimos líderes, profissionais inalcançaveis, estudantes promissores. Se esse é seu fim, certamente você conseguirá, mas isso não significa nada se eles perderem sua alma (Marcos 8:36). Não há nada que foi construído que não possa ser perdido. Mas se entendemos que a fé deles é o tesouro precioso da parábola do Tesouro Escondido (Mateus 13:44) eles acharão e trabalharão para algo que irá repercutir em toda a eternidade, pois aquilo não terá fim! Tendo isso em mente é certo que todas as outras coisas lhe serão acrescentadas.
Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Deuteronômio 6: 6-7
Deus nos ajude nessa missão difícil, mas com eterno Peso de Glória! Para que um dia a oração de nossos filhos seja: "Estou feliz que meus Pais têm a Vida Eterna, assim também eu a Terei!".
Henry Nicolas

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