Lembre-se do sacrifício
"Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?"_(Mateus 27.46).
A maioria das igrejas da atualidade dedicam longos sermões para abordar sobre prosperidade e conforto material. Como já estudado em devocionais anteriores, muito pouco se fala sobre sacrifício ou sobre o "tomar a tua cruz". Confesso aos irmãos que, nos últimos dias, venho meditando mais sobre isso, o que me inspirou a escrever este último texto do nosso Projeto de Vida 2023.
Em nosso cotidiano, enfrentamos dificuldades e percalços, que por vezes nos leva a acreditar que estamos sofrendo muito ou que, em última instância, Deus nos abandonou. Creio que não fazemos ideia do peso e do significativo desta afirmativa.
O texto acima, destaca Jesus Cristo em sua cruz. Não se trata de Jesus, o Deus que coexiste com as outras duas pessoas da trindade. Aqui se trata de um Jesus humano, que se esvaziou de Sua Glória e tornou-se semelhante à nós (conforme Filipenses 2.8). Trata-se de um Jesus nu, despido de sua majestade, ferido, humilhado, agonizando sob um madeiro.
O preço do pecado gerou uma condenação eterna para a humanidade. Para que esta sentença fosse anulada, seria necessário que alguém pagasse. A justa e santa ira de Deus como resultado do pecado só poderia ser aplacada se sangue fosse derramado. Assim, por amor aos seus, Deus enviou o seu unigênito para que esta conta fosse quitada definitivamente.
Um Deus puro, santo e justo não merecia pagar por uma condenação que não era sua. Uma humanidade perdida, contaminada e transviada não merecia a Salvação. Aqui foi firmado um contrato, onde o próprio Deus se responsabilizava por ambas as partes já que não tínhamos méritos para oferecer. O acordo era muito simples: Cristo trocaria a Sua Justiça, imputando-a a nós, e em troca, imputaria sob Si a nossa culpa. O plano perfeito que garantiria o fim da condenação.
Você sabe o que torna o sacrifício de Jesus tão terrível? Muitas pessoas sentem-se impactadas pelo sofrimento e dor resultante do martírio de Cristo. Contudo, sabemos que ao longo da história, outros indivíduos sofreram torturas e martírios até mesmo mais dolorosos do que o do próprio Senhor Jesus. Outros indivíduos da Antiguidade, incluindo alguns dos apóstolos também foram vítimas de uma morte de cruz. Definitivamente não eram a tortura e a dor os elementos que tornaram o sacrifício de Cristo evento único e terrível.
O versículo base em destaque acima apresenta uma expressão única, traduzida de "Eli, Eli, lamá sabactani". A maioria dos manuscritos destacam o clamor agônico de Jesus direcionada a Eli, ou em hebraico "Meu Deus". Já outros manuscritos, como o texto de Marcos, o traduz para Eloi, com o mesmo significado, contudo de origem aramaica). O clamor final de Cristo estava direcionado a Deus.
O grito de Jesus: "por que me desamparastes?" conota a ideia de abandono. O grito de abandono cumpriu a profecia proferida pela voz de Davi: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?"_(Salmo 22.1). Ou seja, a grande agonia que Jesus estava sentindo naquele fatídico momento era a separação do pai: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus"._(Isaías 59.2).
O que tornou o sacrifício de Cristo terrível foi o fato de que naquele momento, Ele se fazia réu em nosso lugar. Ele experimentou a cólera que estava destinada a nós e naquele exato momento bebia da ira de Deus que já o havia abandonado e o deixado só. Este sentimento foi refletido pelo grito de agonia de Jesus, separado do Pai. Jesus estava enfrentando, naquele momento, a maldição do julgamento do Todo-Poderoso e fúria da condenação de um Deus implacável e temível.
Em outras palavras, como afirmam alguns teólogos, Jesus estava sentido todo o peso e rigor da região espiritual que teologicamente chamamos de INFERNO. Mais do que a dor física, mais do que a tortura, mais do que a vergonha moral, o cálice da fúria de um Deus implacável foi o mais agonizante para Jesus; sobretudo se considerarmos que Ele já havia desfrutado de uma relação de amor com o Pai desde toda a eternidade.
Por que Ele fez esta escolha?
Por que Ele nos amou!
Abraços fraternais.
Fábio Luiz de Souza

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