#1. O Senhor é o nosso bom pastor.


"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará"._(Salmo 23.1)

Achegarmos ao Senhor através da oração é um dos mecanismos que possibilita ao crente obter consolo e conforto em meio às dificuldades que cotidianamente assolam a humanidade. A beleza do cristianismo consiste, não na isenção de tribulações e intemperes a que porventura estamos sujeitos, mas no gozo e regozijo que só pode ser alcançado pelo coração que desfruta da confiança no pastoreio de um Deus que é bondoso, misericordioso, longânimo e rico em fidelidade para aqueles que nEle esperam.

O Salmista expressa, neste maravilhoso texto, a sua confiança e certeza de que será cuidado, conduzido e guardado do perigo eminente pelo seu bom e fiel pastor. O Salmo 23, cuja datação greco-latina corresponde ao 22, é um dos textos mais ricos e conhecidos, de uma profundidade inigualável. Este cântico de esperança traz duas metáforas distintas (a primeira, descrita nos versos 1-4 e a segunda, finaliza-se nos versos 5 e 6).

Considerando o contexto histórico em que Davi estava inserido, ao escrever este salmo, havia uma farta simbologia associada a figura de um pastor. Normalmente, os monarcas do Oriente Próximo eram considerados, pelos súditos de seus territórios, pastores. Entendia-se, portanto, que o rei era o principal responsável por garantir a provisão e a proteção de seu povo. Isto explica por que a realeza descrita no Antigo Testamento se preocupava com períodos de escassez e fome, a exemplo do Faraó da história de José. Os monarcas, quase sempre, em períodos de guerras, seguiam à frente de seus exércitos em uma clara lição de comando, direção e proteção.

Em primeira instância, percebe-se que ao escrever as primeiras palavras do verso de abertura do salmo, Davi está reconhecendo Yaweh como seu rei, pastor, provedor e protetor. Esta confiança fica clara na segunda parte do verso: “nada me faltará”. Portanto, Davi, o pastor que se tornou rei, compreendia que Deus cuidava dele em todos os momentos, inclusive aqueles em que o perigo era eminente. Nesta bela canção em forma de oração, Davi utiliza o ambiente hostil do deserto para suscitar uma das mais belas experiências descrita nas Escrituras: a reciprocidade no relacionamento entre o pastor e suas ovelhas. A narrativa nos remete a uma atmosfera de inocência, dependência, intimidade. O pastor conhece suas ovelhas, uma a uma, nominalmente; e elas, podem se regozijar nesta plena certeza.

O Novo Testamento, séculos mais tarde, apresentaria Jesus Cristo como o Rei, Guia e Pastor de Seu povo: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”._(João 10.11 e 14). Assim, cumpria-se a profecia de Ezequiel 34.7-16 e 23, de que o próprio Deus viria pastorear o seu povo.

Descanse no amor, no cuidado e na proteção do nosso Bom Pastor. 

Fábio Luiz de Souza

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